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Agricultores familiares do DF investem na criação de abelhas sem ferrão

por Jornal de Brasilia - Cidades
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A criação de abelhas sem ferrão como alternativa de renda para agricultores familiares cresce aos poucos no Distrito Federal. Os benefícios da meliponicultura – como é conhecida a atividade – vão além da produção de mel. Uma propriedade que conta com as abelhas nativas do Brasil pode ver sua plantação aumentar sem muito esforço.

Segundo dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF) cerca de 190 agricultores familiares do DF já possuem em sua propriedade a criação de abelhas sem ferrão. Dentre as vantagens de se trabalhar com a meliponicultura está a localização, estando no meio rural ou urbano é possível criar os insetos, desde que sejam nas condições adequadas.

Para se criar abelhas com ferrão, é preciso que as residências tenham distância mínima de 500 metros, por conta dos riscos de ataques. Em contrapartida, o ideal é que as abelhas nativas fiquem cada vez mais perto do ser humano, para evitar roubos e que elas se percam na busca por alimento. “O ideal é que se crie as abelhas sem ferrão em um ambiente seguro. Neste caso, não se preocupa mais com a segurança do ser humano em relação às abelhas, mas sim com a segurança delas”, explicou o técnico da Emater-DF, Carlos Morais.

Técnico da Emater-DF, Carlos Morais e Diana Schappo. Foto: Carolina Freitas/ Jornal de Brasília

Ao Jornal de Brasília, Moraes destacou que o plantio de café pode ter um aumento de 30%, caso o produtor conte com as abelhas nativas na sua propriedade. Já a produção de maçã e açaí cresce 90% com a presença dos insetos, enquanto a de melão e melancia 80%. Até a plantação de soja é beneficiada com crescimento de 18%.

“As abelhas são os únicos seres vivos que não te dão uma preocupação com comida e água. Apenas é necessário que você instale ela em um ambiente confortável, com sombra e que dê condição dela voar sem interferências. O meliponicultor deve estar atento a predadores, como aranhas, formigas e lagartixas. Se a abelha estiver em um ambiente seguro e confortável é o suficiente para ela ir buscar alimento para ela e para o criador. A abelha produz o mel e ainda proporciona crescimento na plantação”, enfatizou o especialista.

O técnico da Emater-DF acrescentou ainda que o destaque maior na meliponicultura não é a produção de mel. Uma colônia da abelha com ferrão chega a produzir 30 a 40 kg de mel por ano, já as abelhas nativas fornecem muito menos, cerca de 1,5 kg a 3kg. “Se formos pensar em valor econômico pela venda do mel é certo que poderia se ganhar muito mais com a venda do mel das abelhas com ferrão. Mas a lógica não é essa. O mel das abelhas nativas são de excelente qualidade e com propriedades medicinais que as abelhas africanas não tem, além do valor agregado, o mel das nativas são bem mais em conta”, disse.

“Podemos dizer que não é pela produção de mel que este mercado é atraído, mas pelo aumento das plantações. Além de ser possível ganhar dinheiro com a visitação desses lugares que criam as abelhas sem ferrão. Em uma rede conjunta é possível trabalhar com visitação dos locais de criação das abelhas, comercialização do mel e ainda com parcerias com os vizinhos que trabalham com outros produtos”, completou.

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Turismo das abelhas sem ferrão

Foto: Caroline Freitas/ Jornal de Brasília

Além do benefício com a produção do mel e crescimento da plantação, os agricultores familiares também podem vislumbrar a atividade como uma fonte de renda para o turismo local. Cerca de 40 produtores da Serrinha do Paranoá, no Lago Norte, iniciaram a criação das abelhas sem ferrão em suas propriedades e trabalham em parceria para a comercialização de mel, além de atrair turistas para a região.

A meliponicultora, Diana Schappo, começou com a criação das abelhas sem ferrão há 18 anos atrás, no Núcleo Rural Córrego do Palha, na Serrinha, e viu o negócio crescer aos poucos. Atualmente, além da produção de mel, o local recebe diariamente visitantes interessados em conhecer mais sobre as abelhas. Em uma trilha batizada de “Meliponário Jardim de Mel” os turistas conseguem ter contato direto com dois tipos de espécies específicas, como a Jataí e Mandaguari.

“No início era somente a produção rural, depois veio a ideia da venda do mel, da trilha de mel, das visitações, da venda das colméias e da rede de apoio com os vizinhos. Aqui eu recebo grupos de pessoas que desejam aprender sobre a meliponicultura e como montar uma agrofloresta. Além de pessoas que querem aprender sobre a montagem de um jardim que chame as abelhas. Aqui no local também recebemos grupos de escolas para conhecer o Jardim de Mel. Nestas visitas os alunos fazem até uma oficina para aprender sobre a meliponicultura”, ressaltou Diana.

A meliponicultura destacou a importância da parceria entre os vizinhos para criar uma rede forte na venda de mel: “Nós temos 40 pessoas na região já trabalhando com a criação de abelhas sem ferrão. Com o tempo eu comecei a perceber que eu sozinha não iria conseguir produzir para o tanto de pessoas que querem mel. Atualmente eu tenho lista de espera para compra de mel. Eu não tenho mel suficiente para toda a demanda. Então eu senti essa necessidade de criar uma rede de apoio com as propriedades vizinhas. Se um não tem o outro fornece, e como conhecemos a qualidade do mel de cada um isso é possível”.

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Para Diana, a criação das abelhas nativas auxiliam na renda, além de ser um serviço que não exige tanto esforço físico. “O trabalho com as abelhas sem ferrão é um serviço leve e gostoso de ser realizado. Eu particularmente amo. Os benefícios ainda chegam a ir além do financeiro. O meu emocional ganha e eu me sinto realizada como mulher e pessoa ao realizar esse trabalho. Mas, claro, eu estou feliz também com a minha renda”, acrescentou.

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