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É preciso ser herói, visionário ou sem juízo para investir no Brasil, diz Schwartsman ao CNN Entrevistas | CNN Brasil

por gabrielbosa
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Investir em um país com juros elevados e grande incerteza econômica e política como o Brasil não é para qualquer um.

“É preciso ser herói, visionário ou alguém sem juízo para investir nesse país. Como há poucas pessoas com esse perfil, investe-se pouco no Brasil”, disse Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central e consultor da A.C. Pastore.

O entrevistado desse fim de semana do CNN Entrevistas avalia o atual patamar dos juros – mantidos em 10,5% ao ano pelo Banco Central – como “altíssimo”. Com esse custo do dinheiro elevado, o incentivo ao investimento na economia real despenca.

Para piorar, explica o ex-diretor do BC, o grau de incerteza do Brasil é muito elevado.

“E não falo num sentido do futuro. Estou falando na linha de Malan (ex-ministro da Fazenda): no Brasil, até o passado é incerto”, disse.

O ex-economista-chefe do ABN Amro e do Santander dá como exemplo uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reverteu decisões tributárias passadas.

Com essa decisão do STF, empresas que não pagavam um tributo passaram a pagar, inclusive com a obrigação de débitos do passado.

“Opa. Como é? O imposto muda para trás, no passado? Se você for minimamente esperto, você não investe”, disse.

Milei é um Guedes vitaminado

Alexandre Schwartsman também avaliou os seis primeiros meses do governo de Javier Milei na Argentina.

“A estratégia dele (Milei) é um Paulo Guedes vitaminado. Ele teve de soltar preços públicos, o câmbio. E reduziu volume real de despesas”, disse.

O ex-diretor de assuntos internacionais do BC comentou que Guedes limitou as despesas do governo no Brasil ao não atualizar despesas – como salários – pela inflação.

Essa mesma estratégia é usada – e de forma mais acelerada – pelo governo Milei. “Ter inflação alta para controlar conta pública é uma inversão (de valores)”.

Apesar da crítica à maneira de reduzir gastos mascarados pela inflação, ele elogia o presidente argentino que “parece ter abandonado a dolarização”.

“O duro é que é um país onde a questão política é ainda mais complicada do que o Brasil. Não é trivial”.

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