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IA e tomografia ajudam a decifrar papiro carbonizado pelo Vesúvio há 2.000 anos

por TNH1
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Um livro escrito num rolo de papiro, que foi carbonizado pela erupção do vulcão Vesúvio há quase 2.000 anos, talvez volte a ser lido em breve, graças à colaboração entre historiadores, físicos e especialistas em inteligência artificial. O sucesso inicial na decifração do manuscrito rendeu à equipe responsável pelo trabalho um prêmio de US$ 700 mil.

A bolada veio do chamado Desafio Vesúvio, criado por empreendedores da área de tecnologia para recompensar quem conseguisse enxergar o que estava escrito nos papiros da época do Império Romano. Os ganhadores do desafio são estudantes de ciência da computação e robótica -o americano Luke Farritor, o egípcio Youssef Nader e o suíço Julian Schilliger.

Trata-se apenas do começo do desafio. O trio, por ora, conseguiu decifrar algumas centenas de palavras em grego, escritas em 15 colunas de texto, o que equivale a 5% do conteúdo do rolo. O texto, porém, veio de uma antiga biblioteca na cidade romana de Herculano onde foram encontrados, no século 18, centenas de outros rolos na mesma situação: fechados, mas carbonizados.

Diversos métodos não tecnológicos foram tentados, desde então, para abrir os livros e tentar discernir seu conteúdo, mas com pouquíssimo sucesso devido à fragilidade do material. A esperança é que a combinação de tomografia computadorizada e inteligência artificial consiga ler uma parte considerável do conteúdo da biblioteca de forma não invasiva.

A empolgação de historiadores e especialistas na literatura greco-romana antiga com essa possibilidade vem do fato de que, em termos comparativos, pouquíssimos textos da época chegaram até nós. A imensa maioria das obras da Antiguidade é conhecida com base em cópias manuscritas muito posteriores, em geral produzidas durante a Idade Média.

E muitos livros desapareceram para sempre. O famoso dramaturgo grego Eurípides (480 a.C.-406 a.C.), por exemplo, teria escrito cerca de 90 peças de teatro, mas menos de 20 chegaram até nós -e isso porque ele foi relativamente sortudo nesse quesito. Outros autores da Era de Ouro de Atenas, tal como Sófocles, perderam muito mais obras.

Ainda não se sabe, porém, se os textos de Herculano -cidade que foi destruída junto com sua vizinha mais conhecida, Pompeia no ano 79 d.C.- vão suprir o sumiço de textos de gênios do calibre de Eurípides.

O pouco do que já foi decifrado da biblioteca carbonizada traz uma predominância das obras da escola filosófica epicurista, uma corrente de pensamento cética em relação ao sobrenatural e defensora do aproveitamento moderado dos prazeres da vida. Seus membros também acreditavam, a exemplo de alguns filósofos mais antigos, que tudo o que existe (inclusive a alma humana) era composto por partículas fundamentais chamadas átomos.

Entre os textos de Herculano já lidos há obras atribuídas ao epicurista Filodemo de Gadara (110 a.C.-40 a.C.). Especula-se até que a coleção de rolos de papiro era a biblioteca do seu escritório, ou que seus textos tivessem sido incorporados à coleção de outra pessoa. Os trechos lidos pela equipe vencedora do Desafio Vesúvio também podem ser dele, pois abordam temas como a relação entre os sentidos humanos e o prazer, informa o site da revista científica britânica Nature. Levando isso em conta, é possível que o conteúdo dos papiros seja bastante especializado, dando ênfase apenas à filosofia epicurista. Ainda assim, seria um avanço considerável para o entendimento da vida intelectual na Antiguidade.

Chegar à leitura de trechos dos rolos fechados exigiu um esforço colaborativo de longo prazo e alguma sorte. O processo começou há quase 20 anos, quando Brent Seales, cientista da computação da Universidade do Kentucky em Lexington (EUA), passou a desenvolver técnicas para desenrolar virtualmente os papiros, com a ajuda da tomografia computadorizada.

A ideia é que o sistema de imageamento seria capaz de enxergar cada uma das camadas internas do rolo e depois remontá-las numa superfície plana. Para alcançar o máximo de resolução com raios X, ele levou os rolos a um acelerador de partículas perto de Oxford, no Reino Unido.

O problema, porém, é que a tinta usada nos manuscritos era feita a base de carvão, o que impediu que as imagens, de início, revelassem alguma diferença entre o papiro carbonizado como um todo e o texto escrito. Foi então que surgiu a ideia de usar inteligência artificial para achar padrões sutis de diferença (na espessura da folha, por exemplo) entre as regiões com e sem tinta.

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