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Do Milan de Kaká ao Madrid: a fórmula de Ancelotti que mudou a Seleção Brasileira na Copa

Carlo Ancelotti causou uma verdadeira revolução na forma como o Brasil joga e metodologia usada na Copa do Mundo é inspirada em trabalhos vencedores do passa...

Do Milan de Kaká ao Madrid: a fórmula de Ancelotti que mudou a Seleção Brasileira na Copa
Do Milan de Kaká ao Madrid: a fórmula de Ancelotti que mudou a Seleção Brasileira na Copa (Foto: Reprodução)

Carlo Ancelotti causou uma verdadeira revolução na forma como o Brasil joga e metodologia usada na Copa do Mundo é inspirada em trabalhos vencedores do passado

O ressurgimento da Seleção Brasileira nesta Copa do Mundo tem raízes em uma velha conhecida de Carlo Ancelotti. Após ver seus planos originais naufragarem por conta de lesões e atuações abaixo do esperado, o técnico italiano buscou inspiração em sua própria trajetória para resgatar o clássico esquema 4-4-2 com um meio-campo em losango.

O saldo de dois jogos comprova o sucesso da mudança: com a nova formação, o Brasil aplicou um duplo 3 a 0 — primeiro contra o Haiti, pela segunda rodada do Grupo C, e depois diante da Escócia. O desempenho impecável não só validou a estratégia do treinador, como carimbou o passaporte do país para o mata-mata na liderança da chave da Copa do Mundo. Vale ressaltar que a informação e análise são dos jornalistas Igor Siqueira e Thiago Arantes, do Uol Esporte.

Na prática, o meio-campo em losango (ou “diamante”) se divide em quatro vértices: a base tem um volante de marcação, o centro conta com dois meio-campistas alinhados, e o topo traz um articulador mais agressivo — que pode funcionar como meia-atacante ou falso nove. É a famosa função do trequartista, termo nascido na Itália de Carlo Ancelotti.

Quem assumiu as missões táticas de Ancelotti na Seleção Brasileira

Na estrutura armada para a Seleção, esse losango ganha vida com Casemiro, Bruno Guimarães, Lucas Paquetá e Matheus Cunha. É o camisa 9, no entanto, quem segura a engrenagem do sistema: com muita mobilidade, ele recua para flutuar como esse quarto homem do meio-campo e, ao mesmo tempo, aparece na área para finalizar as jogadas.

Ancelotti já usou essa fórmula com sucesso no Real Madrid (2023-24). Sem um substituto para Benzema, ele montou o losango com Bellingham no topo e transformou Vini Jr. e Rodrygo em uma dupla de ataque. O resultado foi o título da Champions League, sustentado por um meio-campo forte que contava com o revezamento de Camavinga, Tchouaméni, Kroos, Modrić e Valverde.

O paralelo com o Brasil atual é claro: esse esquema potencializa Vini Jr. Ao contrário do 4-2-4 usado inicialmente por Ancelotti, o losango aproxima a troca de passes no meio-campo e garante muito mais solidez defensiva à equipe.

Tudo começou com o Milan de Kaká

A origem desse sistema vencedor remete ao Milan dos anos 2000. Lá, Ancelotti revolucionou ao recuar o cerebral Pirlo para a base do meio-campo, atuando como um lançador vindo de trás. Essa escolha era sustentada pelo vigor de Gattuso e Seedorf nos lados, deixando o caminho livre para a genialidade de Rui Costa ou Kaká na armação avançada.

O 4-4-2 com losango foi o sistema-base do Milan de Ancelotti, ao lado da famosa “Árvore de Natal” — um 4-3-2-1, com três volantes, dois meias e um atacante —, que o treinador passou a usar depois da saída de Shevchenko. Com esses dois esquemas, Carletto ganhou oito títulos com o clube, incluindo duas edições da Champions League.