Endrick ultrapassa barreira ‘clubista’ e vira escolha óbvia de titular da Seleção Brasileira na Copa
Ex-palmeirense conseguiu algo raro no futebol brasileiro: unir torcedores rivais em torno da mesma convicção que bate à porta de Ancelotti para estreia no ev...
Ex-palmeirense conseguiu algo raro no futebol brasileiro: unir torcedores rivais em torno da mesma convicção que bate à porta de Ancelotti para estreia no evento
Iniciei esse artigo perguntando: quem são os jogadores intocáveis da atual Seleção Brasileira? Em toda geração, vários nomes recebem tal status quase automaticamente. O desempenho recente importa menos do que a expectativa construída ao redor deles. E é justamente por isso que a situação de Endrick me chama tanta atenção.
Hoje, a crença mais difundida é que o ataque da Seleção deve ser montado ao redor de nomes mais tarimbados como Vinícius Júnior, Raphinha e outros atletas que chegam com peso europeu e grande reconhecimento internacional. É uma visão compreensível. Afinal, estamos falando de jogadores que atuam no mais alto nível do futebol mundial.
Mas eu começo a me perguntar: até que ponto estamos observando o que acontece dentro de campo e até que ponto estamos presos à hierarquia criada pelos currículos?
A dúvida fica ainda maior quando olho para Endrick. Aos 19 anos, ele não possui a trajetória dos principais nomes da Amarelinha. Não acumulou temporadas como protagonista na Europa. Não carrega o mesmo prestígio internacional. Mesmo assim, toda vez que entra em campo, entrega exatamente aquilo que mais falta ao Brasil: capacidade de decidir.
Endrick fez palmeirenses e rivais concordarem que merece ser titular da Seleção Brasileira
E aqui está o ponto que considero mais relevante. Não se trata apenas dos gols. Trata-se da percepção coletiva que foi sendo construída ao redor dele. Normalmente, jogadores revelados por grandes clubes brasileiros carregam uma defesa quase exclusiva de suas próprias torcidas. Algo que Vini Jr se depara, defendido majoritariamente pela torcida flamenguista nas redes sociais. Com Endrick, aconteceu algo diferente.
Revelado na base do Palmeiras, o atacante conseguiu algo raro no futebol brasileiro atual: romper a barreira do clubismo. Quando vejo torcedores de Corinthians, São Paulo, Santos, Flamengo, Cruzeiro, Atlético-MG e tantos outros defendendo sua titularidade, percebo que estamos diante de um fenômeno pouco comum.
A discussão deixou de ser sobre Palmeiras. Passou a ser sobre rendimento. E o rendimento é difícil de ignorar. Endrick precisou de poucos minutos para decidir partidas contra seleções importantes.
Personalidade e poder de decisão em jogos importantes pelo Brasil
Fez isso pouco tempo atrás contra a Inglaterra, apareceu em momentos decisivos diante da Espanha, participou de vitórias importantes contra México, Croácia e agora voltou a marcar diante do Egito. Não são apenas números acumulados em jogos fáceis. São participações relevantes em contextos que exigem personalidade.
Endrick comemora gol da vitória do Brasil junto de Vini Jr contra a Inglaterra, em Wembley, em 2024 – Foto: IMAGO / Sebastian FrejÉ justamente por isso que considero equivocada a ideia de que ele ainda precisa esperar sua vez. Esperar o quê? Em algum momento, a pergunta deixa de ser se Endrick está pronto e passa a ser se ainda existe alguma evidência concreta de que ele não esteja.
Os próprios números ajudam a sustentar essa mudança de perspectiva. Entre os jogadores mais utilizados da Seleção Brasileira, ninguém transforma minutos em gols com tanta frequência. A eficiência ofensiva do atacante do Real Madrid não é uma impressão criada pelas redes sociais. Ela aparece de forma objetiva sempre que analisamos sua participação.
Enquanto isso, alguns concorrentes seguem recebendo oportunidades baseadas muito mais na expectativa do que na produção recente pela Seleção. Isso não significa diminuir a qualidade de ninguém. Vini Jr continua sendo um dos maiores talentos do futebol mundial. Raphinha compõe um badalado Barcelona, com Lamine Yamal, Lewandowski e Pedri. O problema é que o debate sobre titularidade deveria começar pelo que acontece com a camisa amarela.

E, com a camisa amarela, Endrick tem entregado respostas mais convincentes do que perguntas. Talvez a maior virtude do atacante seja justamente aquilo que não aparece nas estatísticas.
O Brasil frequentemente enfrenta dificuldades contra seleções organizadas porque se tornou previsível. Falta agressividade, profundidade e capacidade de atacar espaços. Endrick oferece exatamente essas características. Ele torna a Seleção Brasileira mais vertical, mais intensa e mais perigosa, algo que o próprio Carlo Ancelotti tanto defende desde os tempos de Milan, Chelsea, Napoli, Bayern de Munique e o próprio Real.
Próxima Copa? Se liga, Carletto: Endrick está pronto agora!
Por isso, acredito que o italiano está diante de uma decisão que parece cada vez mais simples. Não se trata de apostar em uma promessa. Não estamos falando de um projeto para o futuro. Estamos falando de um jogador de 19 anos, mas maduro o suficiente para produzir no presente.
A pergunta que iniciou essa discussão era se Endrick estaria pronto para assumir protagonismo na Seleção Brasileira. Para mim, essa dúvida já ficou para trás há algum tempo. A questão agora é outra: quanto tempo o Brasil ainda vai esperar para admitir aquilo que boa parte dos torcedores já percebeu?
Porque quando um jogador consegue convencer até os rivais do clube que o revelou, talvez o debate já tenha sido encerrado. E, nesse caso, a conclusão me parece clara: Endrick deixou de ser uma alternativa. Ele se transformou na escolha mais óbvia para o ataque da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.