Mapa do banco do Palmeiras mostra quem mantém a estrutura e quem abre um leque de opções táticas
Nem todo reserva entra para fazer exatamente o que o titular fazia. Em alguns setores, a substituição preserva o modelo; em outros, exige uma nova solução ...
Nem todo reserva entra para fazer exatamente o que o titular fazia. Em alguns setores, a substituição preserva o modelo; em outros, exige uma nova solução
O Palmeiras tem um time titular capaz de disputar qualquer uma das três competições que ainda estão em seu calendário, mas existe uma pergunta que merece ser feita com mais cuidado: o que Abel Ferreira tem à disposição quando precisa olhar para o banco? A resposta está nas características de cada reserva e na capacidade de substituir uma função sem desmontar a estrutura. O confronto com o Botafogo é um bom retrato desse cenário, porque permite observar onde o Palestra possui reposição direta e onde precisa mudar a maneira de jogar.
Na defesa, o mapa começa com uma situação relativamente confortável, mas não totalmente linear. Gustavo Gómez, Murilo e Barboza dão a Abel diferentes possibilidades para formar a linha de três ou quatro, enquanto Bruno Fuchs aparece como uma alternativa mais experiente para a zaga. Nas laterais, Khellven oferece uma reposição natural para Giay, enquanto Piquerez tem características bastante consolidadas pelo lado esquerdo.
O problema aparece quando as ausências se acumulam: a entrada de um zagueiro diferente pode alterar a saída de bola, e uma mudança na lateral pode interferir na altura dos alas e na maneira como o Palmeiras constrói pelos corredores. O meio-campo talvez seja o setor em que o mapa apresenta maior variedade de soluções. Marlon Freitas e Andreas Pereira formam uma dupla capaz de alternar construção, pressão e ocupação dos espaços, mas Abel não encontra uma cópia de nenhum dos dois no banco.
Emiliano Martínez entrega mais força física e proteção à frente da defesa, enquanto Lucas Evangelista acrescenta mobilidade, passe e capacidade de aparecer em diferentes zonas. A diferença é importante: se Andreas sair, por exemplo, o Verdão pode manter a estrutura com Lucas, se a escolha for Emiliano, o time provavelmente ganhará proteção, mas perderá parte da dinâmica ofensiva. O reserva, portanto, não apenas substitui, ele modifica o funcionamento.
Raio-X do ataque Alviverde
Isso fica ainda mais evidente quando observamos Felipe Anderson. O camisa 7 pode atuar aberto, aproximar-se do meio ou ocupar uma região mais avançada, oferecendo uma solução híbrida. Só que essa versatilidade também significa que sua utilização depende muito do que o treinador pretende corrigir. Se a necessidade for aumentar a capacidade de associação, Felipe pode ser uma resposta. Se for necessário atacar profundidade, Vitor Roque oferece outra característica.
Se o objetivo for colocar mais presença na área, Flaco López muda novamente o desenho. O banco ofensivo, nesse sentido, tem variedade, mas não necessariamente substituições de um para um. Por isso que o ataque talvez seja o setor mais interessante desse mapa. Flaco López e Vitor Roque podem até ocupar a mesma posição nominal, mas não executam o jogo da mesma maneira. O argentino funciona como referência, oferece presença física, disputa aérea e capacidade de atacar a área.
Vitor Roque é mais agressivo atacando espaços, acelerando transições. Quando os dois estão juntos, Abel consegue combinar essas características. Quando um entra no lugar do outro, a equipe ganha apenas um novo caminho para chegar ao gol. Jhon Arias acrescenta outra camada ao problema. O colombiano pode partir do lado, aproximar-se dos meio-campistas, atacar o espaço entre lateral e zagueiro e até participar da construção por dentro. Por isso, substituí-lo não é uma tarefa simples.
Maurício oferece criatividade e presença entrelinhas, enquanto Felipe Anderson apresenta uma capacidade diferente de conduzir e associar, como já dito anteriormente. São boas alternativas, mas cada uma delas empurra o Palmeiras para uma configuração diferente. Esse é o ponto central do mapa: o elenco de Abel possui peças capazes de mudar uma partida, mas nem sempre jogadores capazes de reproduzir exatamente o comportamento de quem sai.
Juventude do Verdão no mapa
As jovens Crias da Academia, assim como os novatos do elenco, entram no mapeamento sob um prisma singular. Benedetti, Larson e outros jogadores em processo de consolidação podem ser importantes, mas precisam ser avaliados dentro de uma escala diferente de responsabilidade. Há uma grande diferença entre colocar um jovem em campo aos 70 minutos, com a estrutura funcionando ao seu redor, e entregar a ele a responsabilidade de substituir um titular em uma semifinal ou em um jogo decisivo pelo Brasileirão, por exemplo.
O Palmeiras não pode tratar a juventude como um problema, porque ela também representa patrimônio esportivo e financeiro. O cuidado necessário é não transformar jogadores que ainda estão amadurecendo em soluções obrigatórias para problemas imediatos. Isso faz com que o banco palmeirense tenha uma característica curiosa: ele é mais versátil do que profundo em algumas posições. Abel consegue encontrar diferentes maneiras de alterar o time durante uma partida, mas algumas dessas alterações exigem mudanças de comportamento.
Resumo da ópera, ou melhor, do mapa palestrino
Se entrar Emiliano Martínez, o meio pode ficar mais protegido. Se Lucas Evangelista for a escolha, a equipe pode ganhar circulação. Se Vitor Roque entrar, o ataque pode ficar mais vertical. Se Felipe Anderson aparecer, o treinador pode buscar maior associação. O Alviverde tem respostas, mas nem todas conduzem ao mesmo Palestra. Essa característica ganha importância porque o clube não terá o luxo de preservar os titulares em apenas uma competição. Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores vão exigir rotação, e o desgaste naturalmente aumentará.
O verdadeiro teste será saber se Abel consegue alternar peças sem perder a identidade. Se a equipe precisar mudar três ou quatro jogadores, o sistema continuará funcionando? Se perder um meia, haverá construção suficiente? Se faltar um atacante, a produção ofensiva será mantida? O calendário apenas colocará essas respostas à prova com maior frequência. O mapa do banco mostra um Palmeiras com boas alternativas, mas também com diferenças importantes entre os setores.
Identidade da SEP deve ser intocável
Existem reservas experientes, jogadores versáteis e jovens promissores, porém a profundidade não pode ser medida apenas pelo número de nomes. Ela precisa ser medida pela quantidade de funções que o treinador consegue preservar quando faz uma substituição. E essa é a grande questão para Abel na reta decisiva: não encontrar simplesmente quem pode entrar no lugar de quem, mas descobrir quais combinações permitem que o Palmeiras continue sendo o mesmo time depois das mudanças. Porque um elenco realmente profundo não é aquele que tem onze titulares e outros onze reservas. É aquele que consegue trocar peças sem trocar sua identidade.