Opinião: Corinthians alimenta a própria crise e coloca o futuro do elenco em risco
Com jogadores pressionados pelos resultados e desgastados pelos problemas internos, dívida por direitos de imagem aumenta preocupação no Parque São Jorge. ...
Com jogadores pressionados pelos resultados e desgastados pelos problemas internos, dívida por direitos de imagem aumenta preocupação no Parque São Jorge.
O Corinthians parece estar caminhando por uma linha cada vez mais perigosa. Como se não bastassem os resultados ruins dentro de campo, os problemas financeiros continuam ameaçando aquilo que o clube mais precisa neste momento: estabilidade para tentar sair da crise.
A informação divulgada pelo ge nesta quarta-feira (21) é preocupante. Com três meses de direitos de imagem atrasados, jogadores do Timão já possuem respaldo na Lei Geral do Esporte para buscar a rescisão contratual. Isso não significa que alguém vá deixar o clube, mas a possibilidade, por si só, deveria acender um alerta.
Corinthians precisa entender que a crise financeira também entra em campo
A situação fica ainda mais delicada quando lembramos das declarações de Gabriel Paulista após a derrota para o Palmeiras. O zagueiro expôs seu incômodo com os atrasos e os problemas políticos, afirmando nunca ter vivido uma situação semelhante nos outros clubes pelos quais passou.
Não podemos esquecer também de Memphis Depay e Rodrigo Garro. Os dois enfrentam uma pressão cada vez maior da torcida pelos resultados recentes. Existe uma cobrança natural pelo desempenho de jogadores importantes, mas o ambiente em que eles precisam responder dentro de campo está longe de ser saudável.
O Corinthians chegou a nove partidas sem vencer e a Fiel também demonstra sinais de esgotamento. O torcedor cobra porque se importa, porque acompanha e porque já não suporta assistir ao clube acumulando problemas. Mas até quando essa conta continuará sendo colocada apenas nas costas de quem entra em campo?
Atrasos podem transformar um problema financeiro em uma crise no elenco
A legislação permite que atletas busquem a rescisão indireta quando há inadimplência de dois meses ou mais em determinadas obrigações, incluindo direitos de imagem.
O procedimento depende de uma decisão judicial ou da instância competente, mas o Corinthians já ultrapassou esse prazo. O risco, portanto, deixou de ser apenas uma preocupação distante.
E aqui está o ponto mais grave: o clube precisa cumprir seus compromissos não apenas com os jogadores, mas também com os demais credores. Cada dívida que se acumula pode trazer novas consequências, comprometer o planejamento e aprofundar uma crise que já parece não ter fim.
O Corinthians precisa compreender que pagar suas obrigações não é um favor ao elenco, é o mínimo esperado de uma instituição de seu tamanho. A torcida já está cansada de derrotas, promessas e explicações.
O que assusta agora é perceber que, se nada mudar, o clube pode perder muito mais do que pontos na tabela. Pode perder jogadores, confiança e até a capacidade de reagir quando mais precisa.