Opinião: O Grêmio pode estar ignorando uma solução pronta para seu maior problema no ataque
O Grêmio sofre com a falta de extremos decisivos, e Everton Cebolinha surge como uma possível solução para elevar a qualidade do ataque. Sem extremos regul...
O Grêmio sofre com a falta de extremos decisivos, e Everton Cebolinha surge como uma possível solução para elevar a qualidade do ataque.
Sem extremos regulares e decisivos, Everton Cebolinha poderia representar qualidade, identificação e uma mudança necessária no elenco gremista.
O Grêmio precisa começar a olhar com mais atenção para uma possibilidade que, na minha visão, faz muito sentido: Everton Cebolinha. Não apenas pela identificação com o clube ou pela história construída na Arena, mas principalmente porque o atual elenco simplesmente não consegue encontrar regularidade pelos lados do campo.
Hoje, olhando friamente para os jogadores de extrema disponíveis, nenhum conseguiu se tornar realmente decisivo. O Grêmio possui quantidade, mas não necessariamente qualidade. E essa é uma diferença enorme quando se fala em um setor tão importante para o modelo de jogo utilizado por Luís Castro.
Amuzu, até a parada para a Copa do Mundo, era provavelmente o jogador mais regular do setor. Era o atleta que mais buscava o enfrentamento individual, o drible e a ruptura. Depois, porém, especialmente durante o período envolvendo sua renovação, seu rendimento caiu consideravelmente.
Mesmo abaixo do que já apresentou, Amuzu ainda me parece o melhor extrema do atual elenco gremista. E isso, por si só, já mostra o tamanho do problema.
Os extremos do Grêmio não conseguem ser decisivos
Tetê chegou com expectativa, mas não conseguiu engrenar. São nove meses no Grêmio e, sinceramente, consigo lembrar de um ou dois jogos bons. Mesmo nessas atuações, porém, não foram partidas decisivas ou daquelas capazes de fazer o torcedor realmente enxergar um jogador diferente.
Falta impacto. Falta protagonismo. Falta aquele jogador que recebe a bola e faz o adversário se preocupar.
Jovane Cabral, até aqui, é uma decepção ainda maior. O rendimento apresentado está muito abaixo do esperado e não consigo enxergar, neste momento, uma justificativa esportiva para insistir indefinidamente em um jogador que não consegue entregar dentro de campo.
É justamente nesse cenário que Everton Cebolinha passa a fazer sentido. O Grêmio não estaria trazendo apenas um nome conhecido da torcida. Estaria trazendo um jogador tecnicamente superior aos extremos que possui atualmente.
Cebolinha conhece o clube, conhece a pressão, conhece a torcida e, principalmente, sabe o que significa vestir a camisa do Grêmio. Foi campeão, decisivo e construiu uma identificação que poucos jogadores conseguem estabelecer com o torcedor.
Uma troca que poderia fazer sentido financeiramente
Existe também uma questão financeira que, na minha opinião, deveria ser analisada pela direção. O salário de Everton Cebolinha é próximo ao que o Grêmio já compromete com Tetê. Ou seja, uma eventual saída do atual camisa 21 gremista poderia abrir espaço para substituir um salário por outro.
Claro que uma negociação envolve outros fatores. Contrato, valores de transferência, vontade do jogador e condições do Flamengo. Mas, se houver possibilidade real de negócio, o Grêmio deveria ao menos tentar.
Eu faria um movimento ainda mais profundo. Tentaria negociar Tetê, recuperando parte do investimento realizado, e buscaria também uma solução para Jovane Cabral. Com a saída dos dois, o clube poderia reorganizar a folha e até abrir espaço para um garoto da base ganhar oportunidades.
Porque, sendo muito sincero, é difícil imaginar que um jovem formado no clube possa entregar menos do que Jovane Cabral vem apresentando até agora.
O Grêmio precisa voltar a ter jogadores decisivos
Everton Cebolinha seria diferente de tudo o que o Grêmio possui hoje pelos lados. É um jogador experiente, acostumado a decisões, campeão e com capacidade técnica comprovada. Mesmo no Flamengo, em determinados momentos, apresentou rendimento superior ao de jogadores que recebem muito mais atenção, como Samuel Lino.
E existe outro fator fundamental: Cebolinha não chegaria para aprender o que é o Grêmio. Ele já sabe. Já viveu o clube, já sentiu a Arena cheia, já conquistou títulos e conhece perfeitamente a responsabilidade de vestir essa camisa.
O Grêmio precisa mesclar jogadores jovens, atletas da base e jogadores operários com nomes capazes de decidir partidas. Não se monta um elenco competitivo apenas com apostas ou jogadores de esforço. Em determinados momentos, é preciso ter qualidade individual.
Na minha visão, Everton Cebolinha seria uma contratação de enorme importância para o atual momento do Grêmio. Eu liberaria Tetê e Jovane Cabral, reorganizaria a folha salarial e buscaria criar condições para trazer um jogador de outro patamar técnico.
O Grêmio precisa melhorar seu ataque. Precisa encontrar jogadores decisivos. E, se realmente existir uma oportunidade de mercado, talvez esteja diante de uma solução que une qualidade, experiência, identificação e necessidade técnica.
A pergunta é simples: se o Grêmio já paga um salário elevado a jogadores que não conseguem decidir, por que não tentar investir esse mesmo espaço financeiro em alguém que já provou que pode fazer a diferença?