R$ 34 milhões entram na equação, e Abel encara dilema na escalação do Palmeiras contra o Remo
Calendário coloca três competições na equação do Palmeiras, e comissão técnica precisa administrar desgaste sem perder competitividade A possibilidade ...
Calendário coloca três competições na equação do Palmeiras, e comissão técnica precisa administrar desgaste sem perder competitividade
A possibilidade de Abel Ferreira preservar titulares contra o Remo, nesta quinta-feira (4), não deveria ser tratada como uma simples escolha entre o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil. O Palmeiras chegou a novembro disputando três competições e precisa administrar um calendário que cobra seu preço. A questão, porém, vai além da condição física dos jogadores: também coloca à prova a capacidade de resposta de um elenco montado para competir em diferentes frentes.
A reportagem de Flavio Latif, publicada pelo UOL, aponta que a comissão técnica considera o confronto contra o Vasco prioritário nesta semana. Depois da vitória por 1 a 0 no Nubank Parque, o Palestra pode garantir vaga na final da Copa do Brasil com um empate em São Januário. A classificação assegura pelo menos R$ 34 milhões em premiação, valor destinado ao vice-campeão. É uma quantia expressiva, que ajuda a dimensionar o peso financeiro da decisão. Mas seria um erro transformar esse aspecto no único argumento para justificar mudanças na equipe.
O calendário oferece razões suficientes para Abel considerar uma formação alternativa. O Palestra terá pela frente a decisão da vaga na final da Copa do Brasil, a reta decisiva do Brasileirão e a final da Libertadores, marcada para o dia 28 de novembro, contra o Estudiantes. A sequência exige planejamento, especialmente depois de uma maratona que levou o clube a disputar oito partidas desde a última Data Fifa. Preservar determinados jogadores pode ser menos um luxo do que uma necessidade.
Os números de utilização ajudam a compreender o cenário. Carlos Miguel, Barboza e Lucas Evangelista foram titulares em todos os oito compromissos disputados desde a última Data Fifa. Murilo, Gustavo Gómez e Flaco López começaram sete partidas. Não é pouca coisa para uma equipe que ainda precisa atravessar o mês com decisões importantes. A recuperação física, nesse contexto, pode representar um investimento na competitividade das próximas semanas.
A hora da verdade para o plantel do Palestra
Entretanto, existe outro lado dessa equação. Um elenco preparado para disputar três títulos precisa oferecer alternativas capazes de sustentar o rendimento quando os principais jogadores não estiverem disponíveis. Não basta apresentar opções no banco ou distribuir funções entre atletas de características diferentes. É necessário que essas peças consigam manter um padrão competitivo minimamente próximo daquele oferecido pela formação considerada ideal.
A própria distribuição de minutos na temporada apresenta um contraste interessante. No Brasileirão, Carlos Miguel acumula 2.880 minutos, enquanto Gustavo Gómez soma 2.548 e Marlon Freitas, 2.524. Entre os jogadores com menor participação, Bruno Fuchs registra 781 minutos, Felipe Anderson tem 657 e Emiliano Martínez aparece com 511. São números que mostram como Abel concentrou boa parte da utilização em determinadas peças. Ao mesmo tempo, oferecem uma oportunidade para ampliar a participação de jogadores que podem ser importantes na reta final.
Carlos Miguel treina na Academia de Futebol: o goleirão do Palestra é um dos que mais tem minutos em campo na temporada – (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)Isso não significa, naturalmente, que todos os reservas estejam abaixo do nível exigido ou que a diferença técnica entre titulares e suplentes seja necessariamente um problema. Minutagem também depende de lesões, características táticas, concorrência por posição e circunstâncias das partidas. Mas existe uma pergunta legítima: se a SEP precisa recorrer a mudanças para preservar seus principais jogadores, o restante do elenco está preparado para responder sem comprometer os resultados?
Dá para o Palmeiras poupar contra o Remo?
Contra o Remo, o contexto favorece uma estratégia de rotação. O adversário ocupa a vice-lanterna, soma apenas 29 pontos e conquistou duas vitórias em 16 partidas como visitante. O Verdão joga em casa e tem condições de buscar os três pontos mesmo com alterações. Seria pouco inteligente ignorar essas circunstâncias. Por outro lado, o Campeonato Brasileiro não oferece margem para tratar compromissos como meros intervalos entre decisões. O Palestra tem 70 pontos, está três atrás do Flamengo e ainda precisa alimentar suas possibilidades de título.
A discussão também passa pela diferença entre poupar e perder competitividade. Abel pode preservar atletas desgastados sem necessariamente desmontar a estrutura da equipe. A entrada de jogadores com menos minutos precisa ser acompanhada de uma organização que favoreça suas características e reduza o impacto das mudanças. É justamente nesse momento que a qualidade do trabalho coletivo e a profundidade do elenco aparecem.
Comissão técnica precisa agir com inteligência
Há ainda um componente de planejamento que não pode ser ignorado. A classificação diante do Vasco abriria a possibilidade de disputar mais um título e garantiria à SEP uma premiação mínima de R$ 34 milhões. A conquista da Libertadores e a disputa pelo Brasileirão também carregam peso esportivo e financeiro. O desafio da comissão técnica é encontrar uma distribuição inteligente de esforços, sem transformar uma competição em moeda de troca para favorecer outra.
No fim das contas, a possível preservação de titulares contra o Remo pode ser uma decisão acertada. O que ela não pode fazer é esconder uma eventual dificuldade de reposição dentro do próprio elenco. Se os jogadores menos utilizados responderem bem, Abel ganhará alternativas valiosas para a sequência decisiva. Caso contrário, o Verdaço terá uma informação importante sobre os limites de seu plantel justamente quando menos gostaria de descobrir.