São Paulo atrasa salários em carteira e expõe problema que vai muito além do campo
Tricolor não depositou os salários de setembro na data prevista e também acumula três meses de direitos de imagem; informação do GE foi confirmada pelo Bo...
Tricolor não depositou os salários de setembro na data prevista e também acumula três meses de direitos de imagem; informação do GE foi confirmada pelo Bolavip Brasil
O São Paulo atravessa um momento em que os problemas financeiros começam a atingir diretamente um dos pontos mais sensíveis do futebol: o pagamento aos jogadores. A informação publicada pelo GE de que o clube não depositou os salários em carteira referentes ao mês de setembro foi confirmada pelo Bolavip Brasil.
Os valores deveriam ter sido pagos aos atletas no último dia 8, mas não caíram nas contas. E existe um detalhe que torna o cenário ainda mais preocupante: internamente, os jogadores não receberam uma previsão concreta para que o pagamento seja realizado.
Até aqui, o São Paulo vinha convivendo principalmente com atrasos nos direitos de imagem. Agora, pela primeira vez, o clube também deixou de cumprir o pagamento dos valores registrados em carteira de trabalho.
A cobrança sobre os jogadores precisa levar esse cenário em conta
É evidente que uma questão financeira não pode servir como justificativa para qualquer desempenho ruim dentro de campo. Jogador profissional continua tendo responsabilidade, e o São Paulo precisa ser cobrado quando não apresenta o futebol esperado.
Mas existe uma diferença importante entre cobrar competitividade de um elenco que recebe normalmente e exigir o mesmo nível de tranquilidade de um grupo que convive com incertezas sobre os próprios pagamentos.
O momento do São Paulo torna essa discussão ainda mais delicada porque o clube já acumula três meses de direitos de imagem em atraso, referentes a junho, julho e agosto. A percepção entre os atletas é de que o problema pode chegar a quatro meses no dia 28 de setembro, quando vence uma nova parcela.
Ou seja, não se trata mais de um episódio isolado. É uma situação que começa a fazer parte da rotina do elenco e inevitavelmente interfere no ambiente de trabalho.
Gestão anterior também foi muito criticada, mas havia uma diferença
A situação também permite uma comparação com a administração anterior, comandada por Julio Casares. A gestão foi alvo de críticas muito fortes durante o período em que esteve à frente do São Paulo e chegou a ser tratada por setores da política do clube como uma das piores da história.
Mesmo diante dos problemas financeiros enfrentados naquele período, porém, o São Paulo não chegou a atrasar os salários registrados em carteira dos jogadores.
O clube já havia convivido com situações de atraso nos direitos de imagem, mas os vencimentos da CLT vinham sendo mantidos dentro do prazo. Agora, o cenário avançou para uma etapa diferente.
Isso não significa ignorar os problemas financeiros da gestão anterior ou transformar o passado em exemplo de administração. A comparação serve justamente para dimensionar o tamanho do momento atual: o São Paulo ultrapassou uma barreira que, até então, não havia sido ultrapassada nem mesmo em períodos recentes de forte crise financeira.
O problema financeiro já começa a tocar o futebol
Nos bastidores, os jogadores sabem que existe uma disputa política envolvendo o São Paulo e percebem que a instabilidade administrativa também tem consequências práticas para o futebol.
A informação apurada pelo GE aponta que pessoas da alta cúpula chegaram a definir o momento do clube como um cenário em que “o clube está parado”.
E é justamente nesse contexto que surge uma reflexão importante para o futebol do São Paulo.
Não dá para exigir que o elenco ignore completamente tudo aquilo que acontece fora de campo. O jogador precisa entrar em campo, competir e representar a camisa, mas também é natural que exista preocupação quando o clube não consegue cumprir compromissos financeiros básicos.
A responsabilidade, portanto, precisa ser dividida. O atleta deve responder pelo que faz dentro das quatro linhas, enquanto a administração precisa responder pela capacidade de manter o clube funcionando, pagando seus funcionários e honrando os compromissos assumidos.
São Paulo precisa encontrar uma solução rapidamente
O momento financeiro também ajuda a explicar por que a aprovação de operações que possam gerar caixa ganhou tanta importância nos bastidores do clube.
A diretoria de Harry Massis precisa encontrar uma saída para colocar os pagamentos em dia e devolver previsibilidade ao elenco. Quanto mais tempo o problema se prolongar, maior tende a ser o impacto no ambiente interno.
O São Paulo tem compromissos esportivos importantes pela frente, mas não existe planejamento futebolístico sustentável quando o clube não consegue garantir sequer uma previsão para quitar salários atrasados.
A bola continuará rolando e os jogadores continuarão sendo cobrados. Só que, neste momento, a crise do São Paulo deixou de ser apenas uma discussão sobre escalação, desempenho ou resultados. Ela chegou diretamente ao bolso dos atletas — e isso muda o tamanho do problema.