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Vojvoda no Santos: boas ideias, convicções rígidas e o desafio de fazer o time reagir

Treinador argentino tem tido dificuldade de se livrar de suas convicções duvidosas no Santos na reta final do Brasileirão Betano Vitória contra o Sport ali...

Vojvoda no Santos: boas ideias, convicções rígidas e o desafio de fazer o time reagir
Vojvoda no Santos: boas ideias, convicções rígidas e o desafio de fazer o time reagir (Foto: Reprodução)

Treinador argentino tem tido dificuldade de se livrar de suas convicções duvidosas no Santos na reta final do Brasileirão Betano

Vitória contra o Sport alivia, mas não resolve problemas do Peixe

A vitória por 3 a 0 sobre o já rebaixado Sport, nesta sexta-feira (28), trouxe alívio momentâneo ao Santos e tirou o time do Z-4 do Brasileirão Betano. Mas, ao mesmo tempo, reacendeu um debate que cresce a cada rodada: afinal, qual é o Santos de Juan Pablo Vojvoda?

E, principalmente, até onde suas convicções ajudam — ou atrapalham — um elenco que ainda luta para fugir do segundo rebaixamento de sua história? Desde que chegou, Vojvoda trouxe ao Santos uma teoria que agrada, e em alguns jogos a prática aparece. O problema é que o time oscila demais.

Em momentos decisivos, o treinador, é bem verdade, tem tomado decisões que incomodam a torcida. Contra o Sport, por exemplo, o Santos venceu, jogou com segurança e mostrou lampejos de um time mais competitivo. Mas também escancarou escolhas de Vojvoda bastante questionáveis.

A insistência em Tiquinho e decisões que travam o ataque

Colocar Tiquinho Soares como titular não surpreendeu. Vojvoda gosta de um centroavante de referência para estruturar o jogo ofensivo, e Tiquinho cumpre esse papel taticamente. O problema é que cumpre só isso. A entrega é limitada. Lautaro Díaz, que entrou em seu lugar, pouco tem feito de efetivo também.

Enquanto isso, opções mais dinâmicas, como Robinho Jr, Rollheiser e Gabriel Bontempo, seguem no banco. Em um momento em que o Santos precisava aumentar o saldo de gols para possíveis desempates na reta final, Vojvoda travou o próprio time ao não explorar jogadores capazes de mudar ritmo.

A troca incompreensível no meio

Outra escolha que repercutiu mal foi a saída de Zé Rafael. O volante vinha sendo um dos poucos destaques técnicos da equipe nas últimas rodadas. Segura bola, organiza, dá equilíbrio. Sacá-lo do início do jogo foi decisão que não se justifica nem pelo contexto de jogo, nem pela fase dos dois jogadores.

É o tipo de substituição que passa a sensação de que Vojvoda está preso a convicções antigas, mesmo quando o desempenho em campo pede outra direção.

O caso Mayke x Igor Vinícius e Neymar

No lado direito, mais uma contradição: Igor Vinícius voltou a fazer uma partida segura, participativa, com força no apoio. É, hoje, o lateral em melhor fase. Ainda assim, Vojvoda segue dando minutos extensos a Mayke, mesmo sem o reserva apresentar rendimento que sustente tal insistência.

Mesmo no sacrifício, Neymar foi o destaque de vitória do Santos contra o Sport nesta 6ª – Foto: Jota Erre/AGIF

Neymar jogou com proteção no joelho, sentindo dores — e decidiu. Marcou gol, deu assistência, articulou jogadas e foi protagonista mesmo longe de estar 100%. Isso evidencia duas coisas:

O tamanho da liderança técnica do camisa 10, mesmo limitado fisicamente.A dependência do Santos por um jogador que está longe do ideal, algo que aumenta a responsabilidade do treinador em montar uma estrutura que funcione sem exigir heroísmo.

O que esperar dos últimos dois jogos do Santos no BR-25

Com mais um jogo fora de casa na próxima rodada, contra o também rebaixado Juventude, o Santos não pode depender de Neymar a esse ponto — e Vojvoda precisará encontrar alternativas.

O Santos não joga mal com Vojvoda. Mas também não joga bem o suficiente para afastar o torcedor do medo do Z-4. O time vence quando precisa, melhora em alguns padrões, mas não demonstra evolução sustentada.

Há ideia, há método, há trabalho. O que falta é flexibilidade — algo fundamental em momentos de tabela apertada.